Toda psicoterapia começa com uma investigação. A primeira tarefa do psicólogo é conhecer bem o cliente — mapear, aos poucos, como ele funciona do nível consciente até o inconsciente. Por isso, no início, faço muitas perguntas. Coleto dados que, com o tempo, vão direcionar a forma como o processo se desenvolve.
Cada psicólogo tem a própria abordagem teórica e a própria personalidade, o que resulta em um manejo clínico singular — por mais que existam técnicas compartilhadas. Aqui, vou contar como funciona a minha.
A escuta como base
A sessão de psicoterapia, antes de ser uma técnica, é um encontro. É nesse encontro que o cliente pode dizer em voz alta coisas que não disse para mais ninguém — e, muitas vezes, que ainda não tinha dito nem para si. Minha função, como escuta, é acolher esse material sem julgamento e, ao mesmo tempo, ajudar o cliente a olhar para ele com alguma clareza.
Com o tempo, conforme os dados se acumulam, começa a emergir uma espécie de mapa: quais temas se repetem, quais sentimentos aparecem com mais frequência, quais relações deixam marcas, como é o ritmo interno daquela pessoa. Esse mapa orienta o trabalho.
O trabalho com sonhos — a abordagem junguiana
Sou uma psicóloga de formação junguiana, e o trabalho com sonhos ocupa um lugar central na minha prática. Para Jung, os sonhos são uma linguagem simbólica do inconsciente — e, quando acolhidos com atenção, revelam camadas do cliente que o discurso consciente, sozinho, não alcança.
Na minha vivência clínica, a análise de sonhos é hoje o meu recurso mais potente. Pelos sonhos, descobrimos um mundo desconhecido e rico do cliente — territórios inteiros de si que estavam esperando para serem visitados.
Isso não significa que todo paciente precise lembrar dos sonhos para que o processo funcione. Significa que, quando os sonhos aparecem, a gente os escuta com cuidado, como ouviríamos uma história importante.
Quando a neurologia entra na conversa
Minha formação é variada. Além da psicologia junguiana, passei por uma pós-graduação em neuropsicologia na Santa Casa de São Paulo, e vi o quanto olhar para a neurologia pode trazer ampliações significativas ao processo terapêutico.
Por isso, dependendo da situação — e principalmente quando existem dúvidas sobre funções cognitivas como atenção, memória ou inteligência — considero válido investigar o perfil neurológico do cliente. Isso pode significar uma avaliação neuropsicológica dedicada, ou apenas incorporar ao processo leituras e estudos sobre o funcionamento cerebral daquele caso específico. A psicoterapia e a neuropsicologia, bem conduzidas, se alimentam mutuamente.
Recursos artísticos
Há momentos em que o cliente tem dificuldade de acessar certos conteúdos pela palavra. Nesses casos, recursos artísticos como pintura, música, desenho ou outras formas de expressão podem facilitar a ampliação da consciência. Não é sobre fazer arte “bonita” — é sobre usar a linguagem simbólica como ponte para o que ainda não foi dito.
Formato prático das sessões
As sessões costumam ser semanais e têm duração de uma hora. Meu atendimento é integralmente online, por videochamada, em plataforma segura. Essa regularidade é importante porque sustenta o ritmo do processo: pequenas descobertas semanais se acumulam ao longo dos meses e viram transformação.
Em alguns casos — especialmente em momentos de maior estabilidade — combinamos sessões quinzenais. Em outros, principalmente em períodos críticos, duas sessões por semana. A frequência acompanha a necessidade do cliente.
O que esperar nas primeiras semanas
Nas primeiras quatro a seis sessões, a conversa tende a ser mais investigativa. Eu faço perguntas, escuto, devolvo observações pontuais. O cliente me conta a própria história — o que importa, o que dói, o que ainda não ficou claro. A partir desse panorama inicial, o processo entra em um ritmo próprio. Alguns temas vão emergindo, outros precisam ser convidados. Pouco a pouco, se forma uma aliança terapêutica: a sensação de que há um trabalho compartilhado acontecendo.
E é a partir dali — dessa aliança — que mudanças reais começam a se tornar possíveis.
Se este texto te tocou, talvez faça sentido conversarmos. Atendo adultos neurodivergentes há quase uma década e a primeira conversa é gratuita. Entre em contato ou me chame no WhatsApp.